quinta-feira, julho 31, 2008

Ritual das Colheitas

Hoje é dia de festa!!!

Antes de começar a falar sobre o ritual em si, convém mais uma vez explanar um pouco sobre a origem dos rituais. Os rituais, apesar de serem dedicados ao Deus e à Deusa ou ao Pai e à Mãe, não deixam de ser pagãos, na medida em que se está a prestar homenagem a entidades que nada têm a ver com o Deus Único da Igreja.

Estes rituais, que através das Tradições Antigas chegaram até nós, são uma representação clara do que foi dito. Este, em particular, é dedicado ao Deus Sol, ao deus Lugh da tradição Celta, e à Mãe Terra, os celtas chamavam-lhes deusas do milho.

Em tempo antigos, a sobrevivência do homem dependia completamente da Natureza e obviamente que se respeitavam os ciclos naturais da Terra. Cada coisa acontecia em conformidade com esses ciclo e, por isso, era necessário homenagear e prestar culto aos deuses, para que estes lhes fossem favoráveis. Este ritual mantém ainda essa tradição, vamos ainda hoje prestar homenagem ao Deus por ter sido bondoso connosco, vamos também agradecer pela energia que nos enviou durante este Verão, pois o Deus está a perder o seu vigor. Por outro lado, vamos também agradecer à Mãe Terra por nos dar o solo para que tudo aconteça.

Pessoalmente vou agradecer ao Deus pela Luz que me deu durante estes meses, por ter emanado a sua Força sobre mim sempre que dela precisei, à Mãe agradeço-lhe a Firmeza e a Bondade de ter sido tão benévola e frutífera para mim.

Este ritual das colheitas simboliza ainda o início do período em que vamos poder verdadeiramente colher aquilo que andámos a semear antes. Este é o momento indicado para rever a nossa vida, pois vamos colher coisas boas e menos boas, mas a aprendizagem é feita assim mesmo, no bom e no mau. Hoje, por exemplo, fui obrigada a ouvir um homem no trânsito a insultar-me com um ódio tão grande que me deixou triste, eu não precisava ouvir aquilo, não precisava de ser insultada por um desconhecido, mas infelizmente aconteceu.
O que fiz? Antes de me deixar ir pelo sentido de Justiça e responder-lhe, inspirei fundo e percebi que aquele homem está no seu próprio caminho e só consegue ser assim. Eu, que julgo estar desperta para o outro mundo, não posso ser assim e, por isso, segui em frente no meu caminho e deixei-o ir à sua vida com um "Bom dia!" desejado do fundo do coração. As coisas más servem para aprendermos, seja no mais grave dos problemas como nas coisas insignificantes do dia-a-dia.
Deixo então o ritual que se deve realizar na noite de 31 de Julho para 1 de Agosto. Para o fazer precisam de uma vela branca, pão e vinho, além de todo o material normal nos rituais.
Depois de se fechar o círculo mágico e se fazer a abertura (invocação das entidades para protecção), acende-se a vela branca dentro da taça grande do fogo. Faz-se uma saudação para Oriente e diz-se:

Senhor da Luz, ao te ligares à Grande Mãe, fizeste girar a Grade Roda do Tempo, criando mais um ciclo de morte e de renascimento, germinando as sementes, produzindo vida em abundância e amadurecendo as colheitas.
Hoje é um dia grande, pois foi cumprido um ciclo que nos traz a plenitude da abundância e do conhecimento.

Coloca-se o pão sobre o pentagrama e com a mão direita por cima, a esquerda ao nível dos ombros com a palma virada para Oriente, para captar energia, diz-se:

Senhor da Luz, abençoa este alimento ritual, símbolo da morte e da ressurreição.
Partir um bocado de pão e dizer:
Como o pão da vida, para que se cumpra o ciclo anual. Com ele renascerá a luz do amor nos corações e serão abertas as Portas do Conhecimento.
Comer o pão e dizer:
Bendito seja o mistério da vida que existe em cada semente. Senhor da Luz, que a colheita seja abundante e o alimento do corpo seja suficiente para todos os homens.
Consagrar o vinho, da mesma forma que se fez para o pão. Dizer:
Senhor da Luz, abençoa este alimento ritual, símbolo da Espírito e da Conhecimento.

Beber um pouco de vinho e dizer:

Senhor da Luz, fizemos em nós o casamento místico do pão e do vinho. Que ele nos traga a tua bênção e nos auxilie a percorrer o Bom Caminho que conduz ao conhecimento.


Fazer uma meditação sobre o sentido da vida.

Terminar o ritual por agradecer às entidades convocadas, ritual de encerramento, e abrir o círculo mágico.
in, Rituais Antigos para um Mundo Novo – Manual de Magia de José Medeiros

O ano passado tive uma experiência única que foi maravilhosa. Como passei o dia inteiro em jejum, devido a uma má disposição enorme, quando comi o pão fui levada para searas e acompanhei todo o processo de criação do pão, desde a concepção da semente ao pão que estava na minha boca. Com o vinho a mesma coisa, foi mágico! Este ano, estou a tentar fazer outra vez jejum, para que o casamento alquímico seja mais perceptível. Amanhã talvez escreva algo sobre o ritual, talvez.

Num dia de Júpiter, de Saquiel e de Santo Inácio de Loyola
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