segunda-feira, junho 30, 2008

Não quero, não

Não quero, não
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Quero um cavalo só meu,
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.
Não quero, não quero, não
ser soldado nem capitão.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Eugénio de Andrade


Este é mais um dos meus poetas preferidos, em que sinto os meus temas a ser tratados como raramente é possível.

Para hoje fica este, poderia muito bem ficar outro, pois todos são bons, mas para hoje teria mesmo de ser este. Hoje, apesar de ainda não saber muito bem o que quero, sei o que não quero e por vezes esse é o único caminho. Por vezes saber-se o que não se quer já é uma ajuda, assim, fica este mágico poema para me lembrar de um dia tão importante.

Num dia de Lua e de Gabriel, de São Marçal
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