quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Análise da história de Psique - I

Demorou tempo mas eis que finalmente inicio a minha análise pessoal sobre a metáfora por detrás da história de Psique. Relembro que ela é apenas a minha visão de uma história e que cada um terá a sua, sendo que esta será muito bem-vinda.

Esta análise vai ser dividida em partes, ficou muito extensa, e além do mais dou-vos a oportunidade de ir digerindo tudo o que eu vou deitar cá para fora. Espero que se aproveite algo!

A primeira parte vai incidir sobre dois conceitos importantes que devem ser retirados da equação enquanto sentimentos, pois hoje em dia estão cheios de conotações diferentes daquelas que os gregos utilizavam, serão eles a Beleza e a Inveja.

O conceito de Beleza grego nada tem a ver com aquilo que comummente se pensa nos dias de hoje. A Beleza era um meio de alcançar o Divino, era uma forma de perfeição que nos colocava em linha directa com as divindades. A Beleza era um ideal de vida, aquilo que movia os pensadores e artistas gregos, bem como os iniciados.
A Beleza nada tinha a ver com o plano físico ela era um ideal, uma ideia, algo que não tinha forma. Os homens apenas a poderiam tentar alcançar mas nunca seriam capaz de a reproduzir.

Portanto, Psique só poderia representar a pureza da Alma quando está no seu estado liberto. Psique pretende demonstrar as características que todos temos dentro de nós, mas que por vezes recusamos aceitar. A beleza de Psique só é mencionada no início enquanto ela vivia em casa dos pais e não se casou. Sendo que o seu casamento representa a descida ao Plano Manifestado, Eros o corpo físico, mas isso ficará para a segunda ou terceira parte desta análise.

Outro conceito que convém esclarecer é o da Inveja. Segundo Aristóteles a inveja procede da vanglória. O que neste caso se aplica, Psique só foi invejada por Afrodite depois da vanglória dos seus pais. O professor Ramiro Marques caracteriza muito bem este sentimento, ainda dentro das ideias gregas e dos seus preceitos éticos: “A inveja nasce da recusa do reconhecimento de que existem pessoas naturalmente excelentes e outras naturalmente medianas e medíocres. Nasce também da recusa em aceitar que a fortuna, ou a boa sorte, estejam desigualmente distribuídas e que essa distribuição desigual faça parte da ordem natural do Universo.” Controverso?
Acreditando que há encarnações e que esta vida é uma escola, devemos poder aceitar que muitos de nós chegaremos ao fim da viajem para verificar que chumbámos na aprendizagem. Lá teremos de voltar a esta esfera para a repetir. Será que os nossos recursos continuarão a ser os mesmos? Teremos direito à abundância depois de ter desperdiçado uma vida, duas, três? Claro que não sei as respostas para estas perguntas, mas esta ideia não me parece de todo absurda. Parece-me simples que a Natureza se encarregue de oferecer mais a quem cá está pela primeira vez e menos a quem ande a “pastelar”. (nem consigo imaginar as vossas caras ao acabar de ler o que escrevi).

Assim, as irmãs de Psique apenas a Invejaram porque se viram confrontadas com o facto de ela ser bafejada pela Sorte e poder viver uma vida diferente da delas. Esta iveja é a negativa, é aquela nutrida pelo sentimento de inferioridade. Se invejar alguém estou a dizer que aquela pessoas não merece o que tem e eu seria mais merecedora. Isto aconteceu-me uma vez na vida, uma colega minha ficou efectiva e eu sabia que ela nem era assim tão boa professora, invejei-a! Queria ter sido eu, achava mais justo, mas depois percebi que afinal não era bem assim. Ela mudou radicalmente depois de efectivar, pelo menos eu vejo isso assim. A ti Cláudia, um pedido de desculpa.

Porém, depois temos a inveja que até nem é negativa, isto é, que se torna num motor de arranque para as nossas vidas. Aquela pessoa tem isto e eu não, invejo-a, não achando que ela não merece, mas pensando que é bom e também quero. Quanto a isto, só há uma pessoa que sabe que de vez em quando eu tenho essa inveja, a minha Irmã (verdadeira e única). Ela tem no seu caminho todas as pessoas interessantes, aliás foi ela que me apresentou a todas, todo o tipo de iniciados! Sortuda e depois não aproveita :d, mas não invejo ninguém! O meu motor de arranque parte de outro princípio.

Posto isto, a inveja era um tema recorrente na Grécia, ela acompanhava a história dos deuses e dos humanos. Segundo os gregos a inveja era um dos piores males do mundo, era decidir sobre a justiça, era fazer o papel dos deuses e decidir se o outro tem ou não o direito à sua felicidade, abundância ou qualquer outra forma de recompensa. Razão pela qual, eu creio, que os deuses eram retratados como invejosos, pois eles decidiam se o humano tinha ou não direito sobre aquilo. Além disso, o verdadeiro iniciado sabe que a inveja é um defeito, se ele sente que o invejam, sabe imediatamente que está desiquilibrado, que a soberba tomou conta da sua alma.

Espero que estes dois conceitos tenham ficado esclarecidos, pois eles são o início da jornada nesta interpretação e creio ser fundamental que se compreenda no contexto grego o que estes dois conceitos representavam.

E para vós, a inveja e a beleza o que são afinal? Motores de arranque, pecados, males do mundo? Aguardo com paciência as vossas partilhas.

Num dia de Nossa Senhora de Lourdes, São Lázaro e de Rafael, Regente da Energia de Mercúrio
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