segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Deuses do Conhecimento

Fazendo uma breve pesquisa pelas várias mitologias existentes deparo-me com uma história bem interessante. Na mitologia celta, havia seres misteriosos que habitavam as águas escuras dos lagos, rios e riachos. Um desses seres era Fintan (os nomes vão mudando de acordo com a visão de cada autor), este era um salmão da sabedoria, era um metamorfo. Sobreviveu ao dilúvio mudando a sua forma para a de um falcão para sobrevoar as águas e depois voltar em salmão para nelas viver. Conta-se ainda que comeu nozes mágicas e, assim, recebeu todo o conhecimento celta, mas ficou preso numa rede e foi comido por Finn MacCool que acabou adquirindo o seu conhecimento e os seus poderes. Por outro lado temos a deusa Cerridwen, deusa da escuridão e dos poderes proféticos. Ela é a guardiã do caldeirão do submundo, no qual a inspiração e o conhecimento divino são fermentados.
Já na mitologia greco-romana temos a história de Hermafrodito, como símbolo da união entre o Amor e o Conhecimento, dando origem à Sabedoria, ao equilíbrio. Hermafrodito foi o resultado de Mercúrio (Hermes) com Vénus (Afrodite). A sua natureza era de tranquilidade e sabedoria, não se importava com sentimentos relacionados aos instintos humanos.

Apesar de haver todas estas referências, que foram tidas em conta na criação do meu ritual para a Lua do Conhecimento, optei por Atenas/Minerva. Esta foi a minha inspiração para a sintonia com esta lua poderosa.
A sua história é bastante interessante, tendo nascido de uma paixão entre Zeus/Júpiter e Métis/Prudência. A cosmogonia grega está repleta de inícios conturbados onde o pai é destronado pelo filho e Gaia, mãe de Zeus, previu que da união deste com Métis, iria nascer um filho que o destronaria, como ele havia feito com o seu Pai, Cronos/Saturno. Zeus, receoso engoliu-a, usando, é claro, uma artimanha, mais uma das características dos deuses do Olímpo, todos eram muito ardilosos. Enquanto pedia a Métis que se transformasse num ser diferente, ela pouco prudente, transforma-se numa mosca e este engole-a. Durante o tempo de gestação, Métis vai tecendo as roupas de Atenas, o tempo e a paciência como forma de melhor nos armarmos, mais uma analogia sonre a nossa função durante a gestação do filho, escolher as suas qualidades. Um dia, durante uma batalha, Zeus estava cheio de dores de cabeça e quando Hefesto, o ferreiro, lhe dá uma machadada na cabeça, sai de lá Atenas, vestindo um elmo, uma armadura e um escudo.

Atenas é, assim, o símbolo maior da Inteligência Divina, ela sai literalmente da cabeça do Pai. Esta deusa representa, para mim, o lado feminino de Hermes, pois também ela foi a tutora da humanidade, ensinando-nos a tecer, costurar, dançar, pescar, caçar, enfim todas as actividades que nos levaram a evoluir.
Contudo, há uma característica sua que a eleva perante Hermes. Ela não é, como o deus Mensageiro, ardilosa, matreira e enganadora, Atenas rege-se pelo equilíbrio da Espada e pelos olhos da Coruja.
Atenas é uma figura feminina, dai ter sido escolhida para o ritual da lua, mas é uma deusa equilibrada, na minha opinião, não demasiado emocional, ela simboliza a razão e o coração equilibrados. A sua acção é baseada na Justiça, os seus pensamentos inspirados na obra do Pai e o seu Amor alimentado por todos.

Já sei que o Viajante também gosta desta deusa, e vós? É Atenas para vós uma fonte de inspiração? Se tiverem algo a acrescentar a esta história, sintam-se à vontade, já sabem serão sempre bem-vindas mais opiniões.

Num dia de Santa Apolónia, São Cirilo, São Teodoro e de Gabriel, Regente da Energia de Lua
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