terça-feira, maio 05, 2009

À minha irmã mais velha

Andei às voltas e voltas a pensar no que te poderia dizer, tanta coisa me veio à mente que acabei por bloquear. Apeteceu-me desejar-te um Caminho cheio de Amor, de descobertas e de entregas plenas, mas depois achei que era mais simples desejar que tudo o que te fosse positivo acontecesse naturalmente. Apeteceu-me dizer-te que te amo, mas depois pensei como isso era óbvio. Apeteceu-me dizer-te que nem sempre fomos as melhores amigas, como poderíamos se éramos tão diferentes, mas não encontrava as palavras certas. Encontrei, então, na voz do mestre Carlos Drummond de Andrade as seguintes palavras sobre os Irmãos, as quais assino e espero que gostes. Quanto à foto, acho a nossa mais linda, mas não me deste autorização, então fica a reprodução mais parecida que encontrei.

Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam,
se dilatam no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,

o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objectos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?

E com elas e a elas me rendi, achando que sintetizavam na perfeição o que me apetece dizer-te. Quantas roupas estragadas, roubadas, escondidas? Quantas léguas percorremos para chegar à simples conclusão: Fomos, Somos e Sempre Seremos Irmãs! Quantas outras procurei que ocupassem o teu lugar? Mas sempre em vão, pois há uma história, uma ligação insubstituível e inquebrável nisto de ser Irmã, algo que não se explica e que só quem é poderá compreender. Quantas vezes pediste que fosses filha única? Para agora encheres os pulmões e dizeres que amas a tua irmã caçula(estava aqui um erro de bradar aos céus, valha me Deus! e tu não me disseste nada). Que trilho difícil, mas gratificante foi conquistar o teu coração.
Que nós sejamos um exemplo de que o passado serve apenas para nos colocar onde devemos estar, que por muita asneira, mágoa ou erros que tenhamos feito, quando há AMOR tudo se ultrapassa.
Neste dia tão especial, pois sem ti o meu caminho teria sido MUITO diferente, deixo-te com mais um poema, este com as palavras que gostaria de há uns anos atrás ter dito e saber que era ouvida:


Retrato de Amigo

Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo
meu irmão minha amêndoa meu amigo
meu tropel de ternura minha casa
meu jardim de carência minha asa.

Por ti morro e ninguém pensa. Mas eu sigo
um caminho de nardos empestados
uma intensa e terrífica ternura
rodeado de cardos por muitíssimos lados.

Meu perfume de tudo minha essência
meu lume minha lava meu labéu
como é possível não chegar ao cume
de tão lavado céu?

Ary dos Santos, in Fotos-grafias

Claro, não pode terminar assim.

AMO-TE! Parabéns minha doce irmã.

Curiosidade do dia, além desta flor fazem anos a Hazel e o Viajante, os meus muitos parabéns e desejos de felicidade. Foi em 1813 que nasceu Kierkegaard e cinco anos depois Karl Marx e em 1821 que morre Napoleão Bonaparte. Só gente famosa :d

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